quarta-feira, 18 de junho de 2014

'1/3'

Metade de ti é o todo, inteiro. 
Se juntasse metade com metade,
ainda assim não seria inteiro, 
seriam pedaços sem recheio.
Por que é feio, imperfeito.
No vazio, ficou evidente,
é melhor estar ausente.
E parte de ti é só metade, falta um pedaço subentendido, impertinente.
Preso e submetido a pensar menos,
impotente intelectual.
liberdade é pensar além da casca,
ir além dos pregadores,
sem tradutor universal de mentes.
Ninguém vem com manual.
De repente tudo é pensado e projetado no passado,
passado é imagem, imagem descontente.
Culto ao corpo.
abominação do intelecto e ao questionável, inquestionável.
Culto às divindades, as brutais dualidades.
Culto e louvor às barbaridades.
Metade de ti não é inteiro,
é um terço, uma soma, uma oração.
Metade é metade, sem meta, soma ou divisão.

domingo, 15 de junho de 2014

Aponta(dor)

Meu Deus, não preciso de muros,
estou beirando a insanidade,
castigando minhas necessidades.
Meu Deus, ouço sussurros,
pelos becos escuros da minha ambiguidade.



Meus Deus, eu me culpo,
por usa esse vício de chamar por ti.
Mesmo longe, mesmo quando estiveste aqui.
Visto-me de liberdade entre quatro paredes,
disponho-me a prender o choro na hora da prece,
sem causar alarde, tamanha repulsa à vossa impunidade.



Grito em silêncio, com laço na garganta,
nó cego de cadarço que sufoca e se desfaz.
O hematoma provocado, pelas presas do pecado,
armadilhas,
vaidades,
tô triste pela metade.



Meus Deus, os quadros alinhados nas paredes tortas
não me incomodam,
a simetria das imagens não me subtraem,
as imagens são equívocos deixados de lado.
Tuas palavras não mais sustentam aliados.



Meu Deus, é hora de partir,
o trem se move, e eu to parado.
Me perdendo em meio a gente fedendo,
fedendo angustia e ambição,
fedendo a dinheiro e corrupção,
fedendo ódio, alienação



Meus Deus, agora e sempre,
tarde ou nunca.
Fio de corte,
até a hora de nossa morte.



Que seja feita vossa vontade, mas que seja bem feita.
Que seja de bom grado usar destas palavras,
lançadas ao imundo,
Vossa verdade imperfeita.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Fluorescente

Apenas acordes. 
Apenas pedaços, lembranças em cortes.
Apenas barulho, apenas recortes de recordações. 
Resquícios, estilhaços. 
Apenas o silêncio inspirador. 
Apenas cicatrizes dos tempos de dor. 
Apenas jogado, esquecido ora lembrado.
Apenas cores, apenas odores.
Apenas masturbação, penetração, ato mal celebrado, coito, afoito mal consumado.
Apenas um grito de dor.
Onde levam, apenas vagar, bem divagar.
Chuva e vento, apenas temporal, apenas o tempo vagaroso me traga, apenas devaneios.
Acendo um cigarro, apenas trago, apenas um gole, apenas esta noite, apenas me embriago.
Apenas o som,apenas a voz dela.
Apenas jamais.
Apenas um último beijo, rapaz.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Cru

Quisera ter dito que não, quando perguntado se queria seguir sozinho.
Quisera não ter recuado.
Quisera ter tido domínio.
Quisera ser menos esquisito, menos volúvel e disposto a me encaixar.
Menos um pouco talvez que tudo que propus,
menos descartado, menos resguardado e mais atrevido ao fingir meus sorrisos.
Quisera não ter omitido, beijos e abraços fingidos.
Quisera ser menos moldado e molestado pela ignorância agressora.
Quisera não ter de me explicar pra meia duzia de imbecis, quisera não estar tão à frente,
nem tampouco atrás, quisera sentir com mais intensidade o dedo na ferida.
Quisera não ser tão desajustado e menos ainda uma parte envolta dos padrões.
Quisera ser aceito com meus erros.
Não ser idiotizado pela maioria hipócrita/impostora.
Quisera passar por cima disso.
Quisera ser mais e além do óbvio,
indisponível a responder o que o silêncio responde.
Quisera ser surdo ao ouvir verdades obsoletas, e não responder defensivamente ao tendencial.
Quisera ser menos obscuro visto dos grandes olhos alheios, sequer iluminado pelos predicados ambíguos aos sujeitos.
Quisera que meus erros sejam aceitos, pelos erros dos errados.
Quisera ser menos abusado quando se trata de poder.
Quisera que todos os pecadores sejam mais equivocados.
Quisera ser esquecido.
Quisera ser deixado de lado.
Quisera ser menos de tudo,
quisera ser sozinho,
a bem ou mal acompanhado.