domingo, 15 de junho de 2014

Aponta(dor)

Meu Deus, não preciso de muros,
estou beirando a insanidade,
castigando minhas necessidades.
Meu Deus, ouço sussurros,
pelos becos escuros da minha ambiguidade.



Meus Deus, eu me culpo,
por usa esse vício de chamar por ti.
Mesmo longe, mesmo quando estiveste aqui.
Visto-me de liberdade entre quatro paredes,
disponho-me a prender o choro na hora da prece,
sem causar alarde, tamanha repulsa à vossa impunidade.



Grito em silêncio, com laço na garganta,
nó cego de cadarço que sufoca e se desfaz.
O hematoma provocado, pelas presas do pecado,
armadilhas,
vaidades,
tô triste pela metade.



Meus Deus, os quadros alinhados nas paredes tortas
não me incomodam,
a simetria das imagens não me subtraem,
as imagens são equívocos deixados de lado.
Tuas palavras não mais sustentam aliados.



Meu Deus, é hora de partir,
o trem se move, e eu to parado.
Me perdendo em meio a gente fedendo,
fedendo angustia e ambição,
fedendo a dinheiro e corrupção,
fedendo ódio, alienação



Meus Deus, agora e sempre,
tarde ou nunca.
Fio de corte,
até a hora de nossa morte.



Que seja feita vossa vontade, mas que seja bem feita.
Que seja de bom grado usar destas palavras,
lançadas ao imundo,
Vossa verdade imperfeita.

Nenhum comentário:

Postar um comentário